terça-feira, 4 de março de 2008

Enfie seus dedos aqui neste buraco entre minhas costelas

Neste último domingo nosso pastor pregou sobre o encontro de Tomé com Jesus depois da ressurreição, eu fiquei bastante pensativa sobre alguns detalhes.
Ultimamente muitos estudantes de teologia andam meio perdidos entre a fé e a razão. Ouvi há pouco tempo de uma aluna o seguinte: "ah professora, a gente não quer ficar abalado mas fica". Na ocasião eu repliquei: o que nos abala não são as novas informações sobre uma velha teologia que não tínhamos acesso. O que nos abala é a fragilidade da nossa experiência com Deus.
Nestes momentos o caminho não é questionar o conhecimento novo, o caminho é revisitar nossas experiências fundantes na fé cristã. Afinal, cremos em Deus por causa dos grandes milagres que Ele pode operar ou cremos nele pelo que Ele simplesmente é?
Gosto de imaginar o seguinte: se a Bíblia não relatasse qualquer ato sobrenatural realizado pelas mãos divinas, ainda creríamos nEle com a mesma disposição? Por que somos tão dependentes destas manifestações sobrenaturais para crer? Nós batistas temos tanto orgulho de nossos cultos "racionais", mas nos embolamos tanto nestas horas...
Enfim, voltando ao Tomé, como foi dito no sermão, Tomé não queria viver baseado na experiência dos outros, ele queria suas próprias experiências, seu "chão" teológico tinha que ser concreto, palpável, "pisável". Ele não estava predisposto a crer no relato dos discípulos, queria provar ao vivo e à cores. Tomé era racionalista!
Mas não era positivista! Seu racionalismo o levou a uma experiência concreta, corpórea, de toque, de tato, mas ao chegar neste degrau, ao invés de optar por um positivismo exacerbado, Tomé "volta atrás" e faz uma declaração tão teológica que nem parece ter saído da boca da mesma pessoa: Deus Meu!
O Racionalismo de Tomé o levou a um encontro sagrado com o Deus que em todo tempo andou do seu lado mas ele não conseguia reconhecer! Seu racionalismo o levou a tocar este Deus e por tocar, por ter uma experiência física, fez uma declaração sobrenatural!
Se a gente conseguir traçar em nossos caminhos a lógica da teologia do Tomé, acredito que muitos conflitos entre fé e razão serão diminuídos.