sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ROMANTISMO - LÍRIO

O romantismo que em mim existe
me faz olhar a vida com esperança
a sarar as dores com rapidez
a fim de não perder nenhum momento
do tempo bom que começa hoje.

O romantismo que em mim reside
é uma doença incurável
mas não posso dizer que ele é mau nem chamá-lo de mal
ele é bom, ele é bem!

Ele me leva a regar flores
plantar jardins
cultivar amores
cheirar jasmins
acariciar hortênsias
a ter a coragem do alecrim,
mas finca-me na terra
qual lírio belo, perfumado e forte
evocando do meu nome
aquilo que Lília deve ser


E por falar em Lírio, lembrei de você
poema-irmão-mais-velho
Um lúcido déjà vu de anos passados
que resignifica minha existência:                                                                     2009



Lírio
Flor do campo, flor selvagem,
Folhas verdes muito escuras
Pétalas brancas intensamente perfumadas.
Com tua brancura ornamentas a rebeldia da relva
Teu caule é firme, esguio;
És ao mesmo tempo delicada e forte
Quem tenta te arrancar pela raiz surpreso ficará
Ao ver que, ao invés de morta, renasceste no mesmo lugar.

Lília
Flor da vida, flor selvagem;
Carne desejável muito gostosa
Pétalas macias inconfundivelmente perfumadas
Com tua cor negra ornamentas a rebeldia da humanidade
Tua estrutura é esbelta, inabalável;
És ao mesmo tempo delicada e forte
Quem tenta te matar pela raiz surpreso ficará
Ao ver que, ao invés de morta, recomeças do mesmo lugar.                                                        2005

TEUS MEDOS MEUS

Este poema não é novo, ele surgiu num momento de ruptura, de perda, de muita dor,
mas marcou profundamente o momento em que comecei escrever poesias, anos atrás.


Esse poema me ensina que quando se quer, a gente consegue transformar dor em arte e sofrimento em beleza . Estou ouvindo agora uma música que fala exatamente o que escrevi aqui, 5 anos atrás: o amor não tem medo!


Postei  esse poema  aqui pois um amigo, perguntou noutro blog, o que nós fazemos com os nossos medos. Lembro que na época que o escrevi, alguns amigos me disseram que este poema os tinha ajudado a perceber algumas coisas sobre eles mesmos. Então aqui vai:

Sabe do que tenho medo?
Tenho medo que teu medo te domine,
te enclausurando em decisões amargas,
a ponto de não mais querer-me
(se é que algum dia me quiseste)
E, por medo, te afastes
E eu, termine por não ter-te.

Sabe do que tenho medo?
Tenho medo que tu penses
Que não precisas ser amado
A ponto de rejeitares meu amor
(se é que um dia o quiseste)
E, por medo, tu me percas
E eu, termine por perder-te.

Sabe do que tenho medo?
Tenho medo que tu queiras ser galinha
E não perceba a importância de ser águia
A ponto de deixar-me escapar de teu lado
(se é que um dia comigo voaste)
E, por medo, eu alce um vôo distante
E tu, termines por não ver-me.

Sabe do que tenho medo?
Tenho medo que as dores do teu passado
Te transformem numa criatura tola,
A ponto de te embargarem um futuro lindo
(se é que um dia pretendes pensar  no amanhã)
E por medo, tu olhes pra trás
E termines por não ter vivido.

Sabe do que tenho medo?
Tenho medo que teus amigos te olhem no futuro
Reprovando teu desperdício de vida, de amor
A ponto de não mais te “levarem a sério”
(sé é que um dia tu mesmo te levaste)
E, por medo, tu também os perca
E termines por ficar sozinho.

Há quase dois milênios alguém falou:
“No amor não há medo,
Antes, o perfeito amor lança fora o medo;
Porque o medo envolve castigo;
E quem tem medo não está aperfeiçoado no amor”.
(1 João 4:18)
2005

Invadida

Lembrança do tempo bom
gostoso de se lembrar ...
a santa-ceia celebrada em família
riso, comidas e falas
muito riso!

Lembrança do dia bom
gostoso de se lembrar ...
memórias saltitantes na mente
qual criança cheia de energia
muita saudade!

As lembranças que atravessam minha mente
interrompem minha seriedade num repente;
sentam-se diante de mim como donas da situação
e me contemplam satisfeitas
quando o riso, trancado no ferido coração
me surge espontâneo nos lábios
qual flor desabrochando naturalmente
no princípio da primavera...

Ah,
lembranças de um momento eterno
gostoso de se lembrar...
tiram minha atenção de um texto
e me desconcentram completamente!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pai-e-mãe

Supremo Artista
que da alma cuida
enquanto a vida afunda
mas com a paz inunda
pois o amor abunda

Querido amigo
cuja graça emana
de uma fonte inesgotável
de desejo alegre
por minha felicidade imensurável

Deus Supremo,
que com linhas certas
escreve tudo certo,
endireita minha visão
para eu deixar de ver torto
e não tornar o espírito morto
enquanto o Autor da Vida
a tudo tem em suas mãos.

Doce e querido Pai
Saiba eu que teu cuidar paterno
supera em muito meu amor materno.
pois tão materna quanto minha maternidade
é a tua paternidade.
Tu também és pai-e-mãe
pai solteiro, mãe solteira
enquanto pai, se supera,
enquanto mãe, ainda mais.

À tua maternidade
confio o filho que tu me deste
cuida dele com teu mais perfeito,
doador e incondicional
amor de mãe!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Entranhas

Num só olhar
meu mundo ruiu.
Uma só palavra
me destruiu
As entranhas maternais
Se contorceram
em novas contrações
como a parir o filho outra vez...
não para o meu regaço
não para o meu seio
não para o meu abraço
mas para o acaso
para o ocaso
para longe da minha vista
para onde a saudade aperta tanto
que  mesmo estando perto
se me parece tão distante,
inalcançável, inatingível
e me corrói o peito
com o entorpecimento de um delírio
do qual eu quero acordar
mas não consigo

domingo, 1 de novembro de 2009

Fôlego

Sabe...
o pulmão espremido,
o pranto retido,
o sofrer percebido,
o grito não emitido?

Sabe...
o amor rejeitado,
o concentrar anulado,
o sono alterado,
o olho marejado,
o respirar sufocado?

Sabe...
o corpo dolorido,
o abraço não dado,
o gemido contido,
o beijo esperado,
o suspiro emitido?

Ontem corri,
Corri até o pulmão doer!
Mil metros me cortaram o respirar
esfaqueando meu peito
como lâminas cruéis.

A tristeza cansa ...
Tristeza cansa,
Eu parei, olhei para o céu,
A lágrima não veio,
Mas eu ouvi o chafariz da praça...

Estirei o corpo,
Abrindo o ventre espremido
Alonguei a alma
Senti o coração partido
e respirei todo ar que pude

Um pouco ... expirei,
Segunda vez... expirei,
Três, quatro, cinco,
E ele foi entrando, o Vento
abrindo brechas entre
os músculos do peito
que contraídas
me oprimiam o pulmão

Ele veio, o Espírito,
Como sopro divino
me fazendo alma vivente
de renovado coração ardente
O sofrer curando
O ar penetrando
O respirar liberando
O fôlego voltando

E a dor...
Foi passando, passando,
passando...

Lília Dias Marianno - 01/11/2009