quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

44a. celebração

30/12/2009 -

Hoje, às 13:25, completei 44 anos de vida!



Então, se queres saber como eu estou me sentindo, veja este clip. É "minha cara" em dia de niver!  =D



Começo o dia meio sonolenta e desafinada, afinal, não sou uma pessoa "da manhã" meu negócio é a noite, mas depois que a voz afina... ninguém me segura mais =D

Eu já escrevi aqui, muito tempo atrás, que eu nunca entendi porque as pessoas gostam de esconder a idade.
Pra quê? Pra fingir que não envelhecem (como se isto fosse possível!)? Que coisa mais tonta!
Talvez seja pra tentar mentir pra si mesmo ou tentar abstrair a verdade nua e crua de que, a cada dia que passa, estamos mais perto da morte.  Falar de vida, para mim, sempre é falar, também, da morte. Lido com isso com muita tranquilidade.

Por que alguns cristãos ainda sentem tanto medo de morrer? O primeiro e-mail que havia na minha caixa postal hoje pela manhã era de uma pessoa que nega a morte com tanta veemência, que afirma categoricamente que não vai morrer porque vai ser arrebatada, ela acredita firmemente que Jesus vem antes e que ela não morrerá.

Quanto mais o tempo passa, mais certeza eu tenho que viver, cada minuto, cada segundo, é um privilégio  dado a nós apenas pelo amor incondicional do nosso Pai Celestial, e pela  predisposição obstinada dele em exercer conosco dádiva e gratuidade, o  tempo inteiro. Amor escancarado, sem pudor, sem condições, sem esperar nada em troca, amor beijoqueiro, abraceiro, amor escandaloso, amor irreverente, simplesmente amor.

Nenhum dos minutos da minha vida me pertence, jamais foi meu. Tudo é dEle. Costumo dizer que  Deus tem a eternidade como calendário e a vida eterna como agenda. Ele, só Ele, é quem decide quanto tempo passarei aqui entre vocês. Jesus mesmo falou que nenhuma pessoa consegue acrescentar sequer um centímetro ao seu tamanho quanto mais um dia à sua existência!

Por isso, sinto-me tão abençoada por ter vivido 44 anos nesta terra! Foram 16.060 dias! 385.440 horas!
Gente, isso é muita coisa! Tanta gente morre tão jovem, não é verdade? Quantos partiram desta terra antes de viver metade dos anos que eu vivi? E quanta coisa eu fiz nestes mais de 16.000 dias? Uau! Coisa demais!

Eu só consigo pensar que aniversário é uma dupla celebração. É celebração por ter o privilégio de ter vivido tantos dias e horas, e também é celebração porque estou cada vez mais próxima do dia que irei encontrar o Amado da minha alma! Aquele que me ama mais que tudo, que me conhece como ninguém! Que compreende perfeitamente a linguagem muda das minhas sobrancelhas arqueadas, do olhar de canto de olho, da minha testa franzida, da minha coxa estapeada... Ele é o único que sabe qual é o assunto que me faz rir sozinha, qual foi o sonho que sonhei que me faz acordar, em algumas manhãs,  sorrindo e cantando (aliás, Ele brinca comigo toda a madrugada! Não tem como não acordar sorrindo!)

Ele é o único que sabe porque a lágrima me cai no rosto, porque tenho ataques de riso, porque tem hora que sai da minha boca um palavrão do tamanho de uma montanha, e porque às vezes me sinto tão cansada que tudo que quero é meu banho, meu chá, minha cama, e quando começamos a conversar, eu acabo adormecendo...

Ele...  meu Deus, meu Pai, meu Criador, Amado meu, querido demais,  o único que estava comigo em todos os momentos difíceis e insuportáveis que passei, dos quais alguns de vocês já me ouviram falar uma parte, pequena ou grande.

Sim, só Ele estava ali comigo, me impedindo de enlouquecer, de me ferir, convertendo meu pranto em dança, e meu lamento em regozijo, convertendo o desespero em esperança, a desilusão em sonho, Ele, só Ele consegue fazer estas coisas!

O que mais posso eu querer a não ser encontrá-lo, me jogar nos  braços dele e beijá-lo incessantemente, sentada no seu colo, abraçada juntinho, como uma menina pequena, sem qualquer preocupação com o resto da vida, sem preocupar de ter que me soltar dos braços dele porque ele tem outro compromisso a cumprir (ou eu teria!).

Tudo que eu quero é poder encontrá-lo e repetir no ouvido dele: eu te amo, eu te amo, eu te amo. Eu quero olhar nos olhos dele, e sentir esta coisa aqui dentro que queima demais só de pensar que irei fitá-lo, que eu O verei. Aniversário é sempre chegar mais perto deste dia!

Ai! A saudade é tanta que me rasga o coração!




Eu sei exatamente o que este sujeito quis dizer quando escreveu isso aqui:

"Vê-lo-ei por mim mesma, os meus olhos o verão, não outros, de saudade me desfalece o coração dentro de mim ... eu te busco ansiosamente, a minha garganta tem sede de ti." Jó 19,27 e Sl. 63,1.


sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda pensando no Natal...

Povo querido, quando chega esta época eu sempre quero escrever um texto caprichado pra vocês, mas os resíduos do semestre letivo ainda me controlam. Mas enquanto me desembargo das correções de provas e lançamentos de notas ainda estou pensando em Natal. Este ano, especialmente, minha atenção voltou-se para as pessoas impedidas de celebrar o natal por conta das guerras. Acho que é efeito de "Band of Brothers", a série produzida por Spielberg e Tom Hanks, que conta a história dos soldados da Cia Easy durante a 2a Guerra Mundial. Comprei o box duas semanas atrás assisti tudo em três dias. Essa companhia serviu desde a invasão da Normandia até o fim da guerra, sendo a cia que tomou o quartel general de Hitler na Áustria. Dos 10 episódios, o que me deixou mais impactada foi o que ocorreu no natal de 1944, quando subnutridos, mal agasalhados, sem munição,os heróis sobreviveram quase um mês na floresta nevada diante do pesadíssimo fogo cruzado da cidade que se renderia mais tarde. Foram muitas baixas naquele natal, maiores foram as baixas emocionais, daqueles soldados que viram seus companheiros perecendo sem conseguir ajudar pois o fogo era intenso demais. Assim, durante este Natal, pensei o tempo inteiro nas pessoas espalhadas por campos de batalha tão diversos, seja das disputas militares, do desemprego, do desamparo familiar, da fome, da violência, da marginalização, da violação dos direitos humanos... Como ansiamos ainda pela chegada do Príncipe da Paz em tantas áreas da nossa vida! Parece que o Verbo ainda não encarnou, que não virou gente, que não habitou entre nós... até quando? Neste natal, meu desejo é que nossas alegrias não se contenham dentro de nós, e sejam partilhadas por muitos dias e anos com aqueles que nada tem, da forma mais inusitada possível, do jeito mais inesperado. Que o Verbo encarnado, a Palavra que se fez gente, nos motive a mostrar e dividir com outros, o quão conosco esse Deus está e que diferença isso realmente faz. Feliz Emanuel pra vocês!




http://www.youtube.com/watch?v=tvx5uNV02lY

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ENTRE FLORES E FRUTOS

Texto dedicado à turma de Teologia (turno da NOITE!),  formandos de 2010 da FABAT
15 de Dezembro de 2009












O tempo passa por nós, as pessoas passam por nós ...
Mas nós também, passamos pelas pessoas e passamos pelo tempo...
O que carregamos destas passagens?
Apertos de mão? Esbarrões? Trombadas?
Divergências? Discrepâncias? Desavenças?
Interesse? Amizade? Parceria?
Reflexão? Reconhecimento? Maturidade?
Caules? Folhas? Espinhos ou Pétalas?
Aceitação ou repulsão?
Acolhida ou afastamento?

Os encontros entre pessoas que se gostam
deve ser comparado ao cultivo de um grande jardim-pomar
com plantas, flores e árvores frutíferas variadas,
cada uma com sua identidade, sua característica.

Cuidar de jardins envolve
sentir o aroma delicioso da terra molhada ...
contemplar a alegria das folhas balançantes com o peso da água ...
água da chuva que acabou de cair...

Cuidar de jardins envolve
remover a sujeira das folhas secas que a cada dia caem,
oferecendo espaço para os brotinhos bebês
que verdinhos e risonhos, contemplam a luz do sol...

Cuidar de jardins envolve
sujar a roupa com a lama,
machucar os dedos realizando podas
sangrar as mãos com espinhos
plantar a semente na ocasião oportuna...

Cuidar de jardins envolve
futucar a terra procurando por larvas
empretecer as unhas com o grude da terra,
terra que vai demorar pra sair
ter paciência com a semente,
aguardar seu tempo de primeiro morrer, para depois germinar,
regar, ver crescer, cuidar e colher...

Carrego vocês na memória
como um tempo precioso passado  num lindo jardim
com cravos, gerânios, amores-perfeitos, jasmins, lírios...
vocês são tão variados!
Olho para minhas mãos encardidas
e minhas unhas sujas de terra e penso:
a flor  plantada é tão linda...

Cerco com carinho o canteiro
aquele montinho de terra onde coloquei sementes
e que por vezes quase foram levadas
pelas águas da enxurrada...

Sinto tristeza pela semente que não morreu
e por isso não germinou,
que coisa nova consigo plantar neste lugar?
Contemplo o arbusto rebelde, violento
com um novo formato, gentil e agradável aos olhos,
 prazeiroso de estar ao lado
tratado pelo Senhor, o melhor de todos os jardineiros...

Sim, esse jardim é dele
Me foi confiado um tempo muito agradável e muito precioso ali.
Que ele traga tanta alegria e bem estar a outros
como trouxe para o meu coração!

Bênçãos divinas sobre o Natal e o Ano Novo de vocês!

Profa. Lília Dias Marianno




(qualquer piada com frutinha ou com florzinha haverá revanche docente, viu?
Hehehe! Até parece  que não conheço esse bando de machos, ao invés de chorarem
escondidos no banheiro vão começar a fazer piada!)

OS QUE PROTESTAM!


TEXTO DEDICADO AOS FORMANDOS DO STBSB EM 2009,
Escrito em junho de 2008, publicado só agora...




Eu resolvi escrever-lhes para contar uma história. Uma história de uma turma que conheci aqui na Colina logo que cheguei. Bem... era uma turma muito esquisita. Na verdade não era uma turma, eram várias turmas dentro de uma: extrema direita, fundão, retaguarda central, centrão e o MST (Movimento dos Sem-Turma). Não se misturavam, alguns ainda não se misturam... Eu tenho 13 anos de docência no ensino superior e nunca tinha visto nada parecido. 5 turmas dentro de uma só, tinha vezes que eu pensava que eram 7 turmas, tamanha a fragmentação.

"Professora me passa isso por e-mail pois eu sou representante da turma", disse um logo na primeira aula. No outro dia chegou outro: "professora queria pedir... como representante da turma". E nenhum dos dois era aquele que me fora apresentado como representante no primeiro dia!! E também não me apresentaram uma comissão de representantes da turma! Eu fui descobrindo na convivência. Eu perguntei com meus botões:"que maluquice é esta?"

O tempo foi passando, daí a pouco o centrão tava indo pro fundo, e o fundão  foi aumentando de tamanho até que me pediram pra mudar o programa do curso, naquele surpreendente dia em que eu respirei aliviada por poder finalmente começar a lecionar. Que alívio! Tanto alívio que tive uma crise de riso pra aliviar todas as tensões de ter que lecionar dentro de um formato que não é o meu. E em abril, finalmente começamos a trabalhar. Mas DO MEU JEITO.

Quase matei vcs de tanto trabalho, mas foi consciente.Os seminários também, milhares!!! rs Queria ver o que vocês são capazes de produzir na escrita e na oratória. Turma desafiadora, professora desafiante. Eu sabia que essa turma tinha um potencial enorme, só estava igual uma colcha de retalhos sem saber se encontrar, um bando de "baratas-tontas".

Mas vocês foram desenvolvendo minha proposta "absurda" de disciplina, sem se queixar. Quer dizer, pelo menos não se queixavam na minha frente, o que considerei respeitoso devido às circunstâncias que todos nós nos encontrávamos. Vocês com uma saturação justíficável e eu em processo de adaptação na casa. Sei que muitos leram os textos somente por ler, porque eram obrigados.Teve gente se rasgando pra dar conta das leituras, sei que teve gente que deve ter pago a alguém pra fazer...? Alunos, alunos... filme velho! rs. Outros se enrolavam nos textos, pior que gato novo em novelo de lã. Emboladíssimos. No princípio não conseguiam resumir idéias centrais de um texto. Não sabiam escrever! Mas progrediram! Os textos dos redatores mais problemáticos desta turma, agora no fim, estão irreconhecíveis.Parece que estou lendo textos de mestrado!

Muitos se irritaram por ter que ler a Bíblia, esse livro que andava ficando esquecido da vida acadêmica de vcs. Outros voltaram a conversar com ela com uma alegria, como quem não encontra um parente querido a muito, muito tempo. É impressionante como tantos de vocês tiveram dificuldade justamente com a leitura da Bíblia. Mas muitos outros se encontraram justamente nela. Foi uma delícia ver algumas conversas com o texto bíblico que alguns produziram nestas titulações, vcs que conversaram com a Bíblia, tem um futuro promissor com este livro. Lembrem-se tudo passa, menos as palavras eternas!
 
Mas enfim, resolvi escrever-lhes porque fiquei muito contente. Vocês conseguiram superar um desafio muito maior do que imaginavam. Vcs não tem noção de quantas coisas eu estava avaliando neste processo. Não sou uma professora que trabalha apenas conteúdo e notas. Quero ver o efeito disso na vida de vcs. Faço parte de uma geração remanescente de educadores que quer ver o educando crescer, progredir, frutificar. Mesmo que para isso tenha que brigar com ele, mostrar-lhes o desperdício de energia que realiza quando tem má-vontade de aprender..

Muitos de vocês se superaram. Alguns chegando "doentes" pra me entregar os textos na semana de reconstrução. Outros que pensei: "esse desistiu", me apareceram no último momento com todos os textos fichados e todos os livros do NT titulados! Vocês me surpreenderam!

Sabe por que isso me deixou contente? Mesmo com os trambiques que eu sei que aluno SEMPRE  faz? Porque eu vi esforço, esforço individual que foi se transformando em esforço coletivo. Esforço pra tentar funcionar como uma turma. Começaram a orar juntos! Alguns na turma criando grupos para se apascentarem no ministério!!! Nos dois churrasco eu vi isso, não há mais 7 turmas, nem 5! Há só duas, e espero que em breve a menor delas perceba que está perdendo o "bonde da história" e se torne uma com a maioria.

Gente,  a formatura de vocês está chegando. Esse seminário tem uma tradição que já vem desde os dias que meu pai era seminarista, talvez ainda mais antiga que os idos de 1979...

1) primeiro ano "todo santo",
2) segundo ano "se matando de estudar - fase intelectual",
3) terceiro ano revoltado, ativista, "protestante" no sentido etimológico,
4) quarto ano: "quer saber? tudo é festa! to me formando!"

Na década de 80 o CADS tinha umas camisetas celebrativas de cada uma destas fases. Era uma ovelha (ou uma vaquinha) com aquele aro de santinho, depois com um óculos cheia de livros em volta, no terceiro ano com atitudes de protesto (de "paralisação" rsrs) e por fim o capelo da formatura e um sorrisão de formando, com o canudo na mão.

Vocês demoraram pra amadurecer como turma, mas saúdo aqueles que estão chegando ao final do terceiro ano com muita garra, motivação e vontade de aprender.Lamento por aqueles para os quais, estar nesta casa estudando, é quase que um fardo. Ainda estão no terceiro ano, mas já estão na fase 4, porém amargos, ao invés de felizes. A fase 4 deles, não significa: "tudo é festa", significa "que se dane, to indo embora mesmo!" Uma pena!.

É tudo uma disposição interior e é isso que faz a diferença.
Quis escrever tudo isso enquanto ainda há tempo. Enquanto há tempo de serem um, como Jesus e o Pai são um! Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Se hoje fosse a formatura de vocês isso bem que poderia ser a parte de um discurso, mas ainda não é, então espero que aceitem o desafio da fase 4! encerrar com brados de júbilo ao invés de raízes de amarguras e falas rabugentas.


Parabéns novo 6o período! Vocês me deixaram feliz! E me aguardem no segundo semestre!
Não abusem da minha paciência, e nem pensem que estarei "boazinha" no segundo semestre a só por causa desta "cartinha de amor". Continuo "dura na queda".

Meu carinho pra vocês.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TRIBUTO À ERLY


Ah, Erly...
ainda te vejo chegando todas as manhãs
torvelinhando a casa
abrindo as janelas, sacudindo cortinas
batendo as mantas nos sofás da sala ...
Que alvoroço gostoso!


Ah, Erly...
ainda te ouço cantarolando na cozinha
fazendo um cafezinho,
fritando bolinhos de vagem com cenoura
enchendo as garrafas  com cloro por causa do limo...
Que cozinha apertada para nós duas!


Ah, Erly...
ainda sinto o cheiro da fumaça
das folhas de amendoeiras que tu queimavas
enquanto os maruins assombravas
com aquela varreção no quintal,
E o sudoeste batendo na costa da Marambaia ...


Ah, Erly ...
ainda te escuto ameaçando os meninos:
"Samuel, Daniel, desce deste muro! 
vai cair do outro lado e o jacaré vai te pegar!"
Escuto a resposta deles:
"Tia, aqui não tem jacaré! mentira é coisa do diabo!"
E te vejo rindo, pelos cantos da casa
repetindo as falas das crianças.


Ah, Erly ...
ainda me lembro dos teus olhos arregalados
contrariando o olhar apertado e piscante
que te era tão comum,
cada vez que algo muito sério acontecia
Como prestavas atenção à mim!


Minha amiga querida,
Tu fostes morar com Papai tão de repente...
Oito anos se passaram 
e ainda te busco pelo mundo para o abraço final.
Sinto falta do teu alvoroço,
sinto falta do teu bom humor,
sinto falta da tua atenção,
sinto falta do teu desejo de servir,
sinto falta da tua diaconia tão alegre e espontânea.
Teu lugar no meu coração nunca será ocupado!



Nunca te disse tudo isso em vida
mas tenho saudade do teu amor por todos nós,
da tua comida simples, da tua atenção 
às minhas tristezas e desolações,
do jeito que me ouvias, quando ninguém queria ouvir.

Uma falha irreparável desta minha percepção
tosca, lerda e limitada.
Me fazes muita falta!


Não como uma arrumadeira ou babá
Mas como aquela amiga leal,  confidente, 
como mulher de oração que intercedia por mim
como mãe, como avó, como irmã
como alguém que se revoltava contra a injustiça
mas que alegrava minha vida sempre que tinha chances.


Perdão, amiga, pela minha visão tacanha
sem-noção, sem amor próprio,
de uma estupidez tamanha.
Perdão pela cegueira voluntária à qual me impus
que não me permitiu ver tua alma gigantesca.


Eu me mudei da Marambaia em 2005
e os meus meninos, seus bebês, estão mais altos que eu!
Daniel tem 16 e vai para o segundo grau,
toca violão muito bem
Samuel não quer nada com os estudos
mas é um excelente dançarino,
Está com 13, um poço de muitas emoções.


Encontrei Elisa um tempo atrás,
Ela trabalha no Downtown e vai cursar faculdade.
Suelen já casou, acredita?
Quem diria que aquela magrela ia casar antes da mais velha?
Tuas filhas estão bem, minha querida, são bonitas!
Elas refletem o coração bom e generoso da mãe delas.


Sei que agora,  estás junto do Pai
dando seus risinhos agudos
com os olhos apertados
enquanto aqui  eu me desfaço em lágrimas,
nessa tentativa sem nexo de voltar no passado
e sarar a  ferida enorme que abri dentro de mim
quando não te dei o valor que tu merecias.


Te amo amiga querida, minha irmã, minha parceira!
Como eu queria poder te abraçar agora
para repetir-te, o que sempre me dizias
quando voltavas pra tua casa:
Fica com Jesus!



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Erly partiu em 2001 pra ficar com Jesus.
Nunca mais minha vida foi a mesma.
Depois de sua partida, minha vida tomou rumos que ela já devia ter previsto
mas sempre fez de conta que não sabia.
Ela me ensinou a receber amor com gratuidade.
Hoje, percebi que tinha que escrever este tributo
E enquanto me recomponho da convulsão
de lágrimas que me assaltou
recordo que não havia chorado no sepultamento dela.
Sinto que hoje consegui dizer adeus,
de lá do fundo, 
de lá do endereço da dor.