quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Nativity Scene (by TXTStories) - legendado PT BR



Feliz Natal a você que nos assistiu o ano inteiro pelos Lives do FB e teve muita paciência com nossas trapalhadas e amadorismo na produção dos vídeos... gratidão pelo respeito e pelo carinho. 



Já pensaram se Jesus viesse ao mundo nos nossos dias de comunicação avançada por redes sociais? Essa criativa mensagem do TXTStories nos faz pensar!








sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Um dedo, uma prosa

 Esse poema aqui foi escrito como um desafio, celebrando o mesversário de um grupo de amigos, alguns que conheço há 40 e 30 anos, mas que voltamos a nos conectar pelas redes e o caldo desse encontro é lindo.  O nome do grupo é "dedo de prosa" e a criadora do grupo é nossa querida amiga, exímia pianista, compositora, profa. Stella Junia Guimarães Ribeiro.

Um dedo, uma prosa
 Lília Marianno
30/11/2017

Os dedos do músico tocam!
Os dedos do harpista tangem cordas,
Os dedos do pianista tocam teclas,
Os dedos do percussionista batem tambores.
Os tambores agitam a África no meu coração
Coração tocado pelo próprio Deus
Deus que com seus dedos segura a batuta
Regendo os astros no universo.

A prosa é a Palavra
Aquela que pode fazer rir ou fazer chorar
Aquela que consola ou que entristece
Aquela que anima ou desmotiva
Aquela que exorta ou aquela que acolhe
Aquela que aproxima ou afasta
Aquela que o Criador usou para criar todas as coisas
Palavra que encarnou
E entre nós se manifestou,
Cheia de graça e de verdade.

Já dizia Sergio Pimenta,
Que sempre nos tocou com palavras
mas subiu para o céu, universo à fora
Para se encontrar com O Maestro
E ao lado dele tocar e cantar:
“Mesma língua que abençoa amaldiçoa
Mesma língua canta um hino e traz divisão
não pode da mesma fonte o doce e amargo
se Cristo habita de fato no coração”

No “dedo de prosa” encontram-se, a prosa e o dedo
Gente que com os dedos cria beleza
Músicos e amantes da música reunidos
Com afetos por uma estrela comum.
Estrela que não é nossa guia
Mas é a nossa liga, o nosso mel.
Estrela que nos toca com sua sensibilidade
Com a beleza de sua arte
Com a sabedoria de suas palavras
Com sua fé no Corpo, o projeto do Cristo
Com sua perseverança na comunhão e no partir do pão.

No “dedo de prosa” somos instigados a falar
A sair do isolamento
A fluir com nosso lado criança
Extravasar nossa capacidade de rir
Fortalecer nossa competência em amar
E por isso a gente vê o Reino do Céu
Pois somente crianças entrarão neste Reino

Felizes os que usam o dedo de prosa
Para amar, para recrear,
Para acolher, para discipular,
Quando Jesus olha para esta Igreja
Eu tenho certeza que ele sorri.
E mais uma vez ele diz:
As portas do inferno não prevalecerão contra ela.


Feliz mesversário grupo!


sábado, 2 de setembro de 2017

Fogueiras da Inquisição novamente? Que coisa medieval!

Dois dias atrás tomei conhecimento, por meio de pastores e pastoras amigos/as, que há um texto circulando em capítulos regionais da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil e dali disseminando para todo o Brasil Batista, distorcendo a verdade a respeito da minha empresa, da minha carreira acadêmica, da minha carreira teológica e da minha carreira ministerial.. As fogueiras da inquisição parecem estar sendo nutridas com muita lenha nos últimos dias. Até o "index librorum prohibitorum" parece estar sendo ressuscitado na atualidade. Que coisa medieval! Que coisa retrógrada! Que vergonha para batistas que sempre prezaram pela liberdade do indivíduo e pela decisão congregacional e democrática!

Eu, particularmente, nem teria me dado ao trabalho de retrucar porque entendo que o esforço emocional e cognitivo, além do tempo e da energia empregados não compensariam jamais. Tenho coisa muito mais útil a fazer com meu tempo do que responder certos setores da minha denominação que não apenas não entendem do que falam, como não querem entender. Já aprendi a deixá-los aos cuidados do Justo Juiz, lembrando sempre que o juízo de Yahweh começa pela sua própria casa, conforme a profecia de Amós. E entre cair na mão de STF, por exemplo e cair nas mãos do Deus Vivo, ah, sim! Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus que socorre a viúva e o órfão. Mas a pedido destes amigos é que escreverei este texto. Simplesmente porque os amo e os respeito.

Algumas pessoas que não tiveram acesso ao texto da OPBB me pediram que eu socializasse o conteúdo, e eu digo: desistam! Se vocês acham que eu mesma vou me emprestar para disseminar esse texto vergonhoso, podem desistir, porque isso não honra o nome do meu Senhor Jesus. Então vamos aos ajustes.

Essa é uma carta aberta a todo o povo batista brasileiro, principalmente aos seus pastores e líderes, inscritos ou não na OPBB. Peço que a difundam amplamente, por gentileza.

  • Realizo pesquisas sobre Estudos de Gênero desde 2000 e tenho esta carreira longa neste campo. O conhecimento que tenho adquirido com minhas pesquisas sempre socializei em seminários batistas ao longo de 18 anos de carreira e também em cursos customizados sobre o assunto que ministro por meio da minha empresa de Gestão do Conhecimento - a Eagle, espaço criado especificamente para promover diversos serviços, inclusive a educação bíblica que não é autorizada a ser ensinada em instituições confessionais por ameaçarem os poderes e poderosos que as controlam.
  • Meu trabalho não caracteriza NENHUMA  espécie de militância LGBT. Não participo de passeatas, paradas, nada que represente ativismo LGBT. Nunca participei. Sou uma cientista, uma pesquisadora, meu viés é profundamente acadêmico.Não estou associada a nenhum movimento ativista de inclusão LGBT. Entendo que meu trabalho consiste muito mais em trabalhar contra a exclusão, muito mais do que a favor da inclusão, porque no meu entendimento não significam, necessariamente, a mesma coisa.
  • Sou membro da  Comissão de Justiça Racial e de Gênero da Aliança Batista Mundial - BWA - para o quinquênio 2015-2020, e parte da minha atividade nesta organização é despertar o diálogo e articular caminhos de conciliação, gerenciando conflitos e multiplicando os facilitadores deste processo.
  • Meu ministério neste campo, há mais de treze anos consiste também de cuidar de pessoas gays, que querem seguir a Jesus, passam por crises de identidade extremas, muitos chegando à beira do suicídio, depressão etc, e não são pastoreados pelos cristãos porque grande parte destas igrejas está ocupada em demarcar território de controle e poder e não em cuidar. Gasta-se mais tempo formulando documentos de segregação do que cuidando de quem necessita.
  • Meu caminho sempre foi pioneiro, solitário, como João Batista no deserto, me custa um preço muito caro e é, acima de tudo, educacional, trabalha para mudança de modelos mentais. Atividade que requer uma enorme perícia e não conheço outra pessoa que faça isso no Brasil hoje, isto é, o "trabalho sujo" que a igreja não quer fazer, andar com os pecadores, trata-los como amigos, sentar à mesa com eles, enfim: parecer com Jesus, andar como Jesus andou e fazer o que ele fez.
  • Como educadora que sou, por mais de trinta anos tenho sido convidada para conferenciar em igrejas e organizações das mais diversas sobre inúmeros temas que perpassam a espiritualidade, exegese bíblica, missão, história da igreja, gestão de conflitos, educação cristã. Cada organização que me convida determina o tema sobre o qual devo conferenciar. Não chego nas igrejas ensinando o que "dá na telha", as comunidades são responsáveis pela escolha dos temas para os quais estão convidado-me para falar.
  • Dentro do escopo do meu trabalho está o treinamento e desenvolvimento de pessoas que queiram facilitar o diálogo e tratar a questão com amor cristão e misericordioso. E um dos meus primeiros passos é distinguir os termos como Educação sobre Gênero, teologia inclusiva, teologia queer, ideologia de gênero, para que todos saibam, com clareza, que meu trabalho é fazer Educação sobre Gênero. Nenhum dos outros três pontos fundamenta minha atuação.
  • Meu trânsito em igrejas inclusivas, além das inúmeras amizades que tenho feito entre eles é antigo, não é uma "onda" como disseram, nem um "entusiasmo". É minha carreira, pois faz parte do meu trabalho conviver com pessoas, ouvir suas histórias e compreender suas necessidades. Este trânsito em igrejas inclusivas acontece desde 2006.
  • Meus últimos 20 anos como cristã foram marcados como membro ativa e participante da liderança na educação das seguintes igrejas: Primeira Igreja Batista do Recreio dos Bandeirantes (2000-2007; 2011-2014), Igreja Batista Itacuruçá (2008-2010), Igreja Batista Memorial da Tijuca (2014-2017) e agora Igreja Batista Betânia. Meus pastores foram, respectivamente: Pr. Wander Ferreira Gomes, Pr. Israel Belo de Azevedo, Pr. Valdemar Figueredo, Pr. Luiz Roberto dos Santos e Pr. Neil Barreto (atual). Tenho orgulho de todo apoio ministerial que cada um deles tem dado à minha vida, reconhecendo a idoneidade do que faço e recomendando meu trabalho para inúmeros de seus conhecidos, inclusive convidando-me a integrar outros projetos que coordenam.
  • Profissionalmente, sou professora universitária, tendo atuado como docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2014,  doutoranda em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia na mesma Universidade, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, na área de exegese bíblica, Mestre em Teologia Bíblica, com ênfase em Antigo Testamento. Estudos de gênero, incluindo homossexualidade sempre estiveram presentes nos temas de minhas pesquisas stricto sensu e também na minha docência, Incluindo o STBSB e CIEM, instituições às quais estive vinculada num total de 11 anos. Os programas de disciplinas sempre foram examinados e aprovados pelos coordenadores e diretores destas instituições antes das disciplinas começarem a ser ministradas.



OUTROS ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES
  • Igreja do Pinheiro - O autor anônimo do texto me inclui numa "onda inclusiva" de gente que começou a se manifestar dando apoio à Igreja Batista do Pinheiro por seu manifesto enviado ao Brasil em 2016. Nunca participei de qualquer ação manifestando apoio ou contrária ao Pinheiro por motivos de ordem pessoal que nada tem a ver com este texto.
  • Revista Novos Diálogos - Sou autora nesta revista desde 2008, quando foi fundada. O propósito da revista é mais antigo e muito mais amplo do que seus vínculos à questão do Pinheiro. Atualmente uma dúzia aproximadamente, de pastores e pensadores batistas são autores na revista. Tenho vários artigos sobre devoção e espiritualidade publicados  na revista e se não me falha a memória apenas um único fala do perigo desta ignorância que temos para tratar assuntos LGBT e da necessidade urgente de nos educarmos para começar a dialogar sobre o tema.
  • Livro Reimaginar Igreja: 40 vozes. Trata-se de uma coletânea celebrativa dos 500 anos da Reforma.  Um trabalho feito entre os editores e os autores da revista virtual ao longo de 4 anos, tendo como tema central a Quaresma e a atitude de contrição e humilhação que esta época deveria trazer ao coração dos cristãos em todo o mundo. Lembrando que o esforço da revista é ecumênico. Como autora na coletânea participei do sarau de lançamento no Rio de Janeiro. Há um artigo meu nesse livro falando de espiritualidade contemplativa e serviço, onde compartilho minhas experiências como voluntária na Cristolândia, projeto da JMN.
  • Festival Reimaginar - um esforço colaborativo com o EntreNós para trazer conferências de alguns dos autores da revista para repensar temas tensos no comportamento dos cristãos da atualidade. Nunca participei do festival, assim como diversos autores na Revista, por causa do perfil do Festival e do perfil dos escritores.
  • EntreNós - Organização ecumênica composta por pensadores e teólogos evangélicos da geração mais recente, que andam bastante incomodados e desconfortáveis com a forma como a religião tem ocupado lugar do verdadeiro cristianismo. Tive um único contato com esta organização no sarau de lançamento do livro Reimaginar, poucos meses atrás. Antes disso mal tinha ouvido falar.
  • Aliança de Batistas do Brasil - Não pertenço à organização, não sou associada. Não pretendo ser por motivos pessoais. ABB foi fundada em 2005 como organismo para agremiar  brasileiros batistas com visão e inserção ecumênica e trabalha com valores comuns a outros organismos ecumênicos. Não agrega igrejas, agrega pessoas. Sua filosofia de trabalho é claramente descrita em seu sítio na web: http://www.aliancadebatistasdobrasil.com/p/quem-somos.html . Sua filosofia de trabalho não é a que propagada no texto.
Nenhum destes organismos foi criado por causa, ou para causar uma "onda inclusiva". Eles são bem mais antigos que os movimentos de exclusão mais recentes promovidos pela CBB contra igrejas mais tolerantes com a questão homoafetiva. Se estes organismos se manifestaram apoiando a Igreja do Pinheiro, o fizeram por considerar um total disparate com os valores batistas a atitude do conselho da CBB. Sabemos também que esta decisão não foi tomada sem muitas rachaduras dentro da própria CBB. Prevaleceu uma minoria que decide, mas que não representa o pensamento do povo batista brasileiro, haja visto a quantidade de igrejas e pastores solidários ao Pinheiro. 

Vozes ferozes se levantam para distorcer, difamar e atingir pessoas e organizações nominalmente porque estão em crises internas. Quem não está em crise  não sente qualquer necessidade de atacar seus semelhantes. O ocorrido é muito triste, mas sobretudo é  anti-cristão, anti-bíblico e a Igreja Batista Brasileira, nos seus setores defensores da exclusão, há de ser julgada pelo Senhor Jesus por tais movimentos. O momento chegará.



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Em terra de VICE, quem tem "olho" aprende a votar.

São Paulo, 31/08/2016. Data que me entristece.
Vejo tanta gente falando do golpe de maneira pontual e desmemoriadas, como se 1964 fosse o único exemplo de golpe que enfrentamos na história, que fico bastante preocupada com o "para onde" esta ignorância histórica vai acabar nos levando, enquanto nação verde-e-amarela.
Há exatos dois anos fui convidada para ministrar um devocional durante os encontros da Assembleia Anual da ABP, que traziam a memória dos "50 anos de ditadura". A Bíblia teve um espaço privilegiado numa das manhãs e lá estava eu. Estávamos às vésperas das eleições presidenciais, e eu tivera acesso, poucos dias antes, a uma "informação privilegiada" (e que nem era segredo), de que se Dilma Roussef fosse reeleita, as elites da direita, associadas com os militares, desencadeariam um novo golpe. Eduardo Campos ainda não tinha morrido no acidente aéreo. Marina era uma candidata a vice-presidência.
Chamar uma biblista (engajada com a profecia bíblica) para fazer um devocional, num grupo progressista, que discutia ditadura com ardores puramente políticos e com pouca maturação de batalha espiritual e do "sistema" que governa este mundo, e querer ouvir o que é "agradável aos ouvidos" é um risco tremendo e geralmente não dá certo. E foi o que aconteceu.
Naqueles dias eu estava estudando direito constitucional para um concurso, e ficando perplexa com a quantidade de vezes que nosso Brasil teve a democracia solapada, desde a Proclamação da República. O Brasil sofre golpes de estado desde que se entende como nação independente de Portugal. É pré-republicano esse hábito.
Eu não tinha consciência que eram 11 presidentes depostos e impedidos em 127 anos, quase um a cada década e, como andava meditando sobre Daniel 9 e 10 e, por estes textos, adquiria uma nova compreensão do Sistema por trás dos sistemas (Ef 6). De repente a história das nossas constituições revelou um quadro bem maior da opressão dos poderes que tem gerido a pátria-mãe gentil. Para usar uma linguagem do meu novo campo de estudos, o ator-rede desta engrenagem é uma rede de poderes humanos e não humanos que interferem na ordem mundial. E com os capítulos de Daniel tão audíveis na mente, não tive como convida-los a refletir sobre essa coisa Maligna por trás de tudo que governa nosso país, interferindo na ordem e no bem-estar da nação. Então perguntei àquela assembleia: "e se o golpe acontecer de novo, o que vamos fazer"?
Infelizmente, como vem se tornando cada vez mais comum neste país, se você traz questionamentos à "esquerda" você é "coxinha e golpista", e se você não concorda com os golpistas você é "petralha". Me senti como quem fala a uma parede de concreto e alguns me interpretaram como golpista, enquanto outros me procuraram para dizer que aquela fala fez muito sentido naquele momento dos encontros. Naquele dia senti profunda tristeza, a mesma tristeza que sinto hoje e que me faz escrever para ver se aliviava. Saí do encontro sem me despedir de ninguém, sem querer que notassem que saí. Ninguém respondeu à pergunta que fiz, mas os dirigentes da assembleia, meio sem jeito, fecharam minha fala com uma expressão meio perplexa (talvez não acreditando que tive coragem de fazer tal questionamento) e disseram: "graças a Deus hoje temos a democracia".
Temos mesmo? Que "povo" realmente tem poder neste país? Podemos nos regozijar com os profetas bíblicos, ou suspirar desejando que "corra a justiça como um ribeiro perene"? Acho que não.
Na juventude fui PTista de carteirinha, em 1988, 1989... quando havia uma proposta clara do que seria feito a favor do povo, e por isso, embora não tivesse votado em Lula na primeira candidatura, votei nas duas eleições seguintes. Mas sabe quando a gente vê o exercício do poder sendo deformado? Foi por isso que não votei em Dilma em nenhuma eleição, tinha medo da forma como o PT mudou sua filosofia política e passou a fazer alianças perigosas, com partidos que não passavam de representações personificadas dos donos do capital, travestidos de democráticos só porque colocaram a letra D na legenda.
Independente de não ter votado em Dilma, não tenho como ficar contente com o que aconteceu hoje. Isso é coisa muito séria e não sei se os cristãos estão se dando conta de em qual ponto do "sistema" nós estamos engrenados.
Nestes meses, vi muita gritaria, muita bateção de panela, muita vuvuzela, muita vaia, muito "fora Temer" de um povo que não sabe votar, que elege presidentes por paixão e não presta atenção nas alianças que estes mesmos presidentes estabelecem, alianças que determinam quem serão os vice-presidentes, e isso é muito perigoso. Num país que já teve tantos presidentes depostos como o Brasil, este item precisava ser considerado com tremenda atenção na hora de votar.
Não sei se outro país latino-americano tem tanta reincidência de presidentes depostos, impedidos, mortos antes de tomar posse... isso é, no mínimo, muito estranho, para não usar a palavra "sobrenatural", pois esta minha visão da anormalidade pode ter sido aquilo que assustou o grupo que ouviu minha pergunta. Não podemos ignorar que nossa tradição histórica é antidemocrática. Presidentes a favor do povo são retirados do poder, seus vices ou interinos são nomeados, assumem em seus lugares e lá vamos outra vez, viver a mesma situação, pela undécima vez.
Como somos historicamente desmemoriados, resolvi pesquisar as datas e os nomes de todas as vezes que isso ocorreu desde a Proclamação da República.
  1. Afonso Pena (1909) (morreu antes do fim do mandato), assumindo seu vice: Nilo Peçanha.
  2. Rodrigues Alves (1918) (morreu antes de tomar posse no segundo mandato) - substituído por seu vice: Delfim Moreira - ficou um ano interino na presidência).
  3. Júlio Prestes - (impedido de posse por causa do golpe de 1930) - Junta Provisória Militar governa até a designação de Getúlio Vargas.
  4. Getúlio Vargas (1930-1945) depois de longo período no qual governou inicialmente para atender as expectativas militares, foi derrubado do poder pelos mesmos, sendo substituído por José Linhares, interino convocado pelos militares.
  5. Getúlio Vargas (1951) - agora eleito pelo povo, volta ao poder para defender os interesses da sociedade, então o trágico episódio que o levou ao suicídio (1954). Café Filho, seu vice, toma posse no poder.
  6. Carlos Luz - interino - permaneceu no poder por 3 dias em 1955 - sofreu impeachment.
  7. Nereu Ramos - interino - permaneceu no poder por 2 meses entre 1955 e 1956 até completar o quinquênio presidencial.
  8. João Goulart - foi vice de Juscelino e também de Jânio Quadros, que renunciou em 1961, mas Goulart foi impedido de tomar posse naquele momento, tendo sido substituído por Ranieri Mazzilli 1961 e depois, segunda vez, quando João Goulart foi eleito e governou (1961-1964) mas sofreu o golpe militar.
  9. Tancredo Neves - morreu antes de tomar posse (segundo caso de morte antes de assumir), o vice José Sarney governou em seu lugar por TODO O MANDATO (1985 - 1990).
  10. Fernando Collor de Melo - impedido após dois anos de mandato, o vice Itamar Franco (1992-1995)
  11. Dilma Roussef - realizou o primeiro mandato, sofre impeachment em 2016 e o Brasil mais uma vez parece que vai ser governado por seu vice Michel Temer por um mandato de mais dois anos, a não ser que o "filho teu" que " não foge à luta" vá às ruas em plebiscito exigindo novas eleições.
Minha querida nação, honestamente, isso é normal?Será que esta história, por si só não tem o poder de nos ensinar a rever nossa forma de votar e os valores que estamos atribuindo neste processo de escolha presidencial e dos demais políticos?
Em 127 anos de República tivemos 11 casos de substituição dos presidentes eleitos.
Se Dilma Roussef foi impedida (e nem vou gastar tempo discutindo o mérito porque isso já está exaustivamente debatido), estou interessada no dia seguinte: o que nosso povo vai fazer? Fiz esta pergunta dois anos atrás e ninguém ainda me respondeu. Porque me interpretaram como "respiros golpistas". Mas não eram, nunca foram. Talvez fosse pura profecia, não no sentido do "feito inédito", mas no sentido do discernimento profético, de ver o caminho que a situação está tomando e de conclamar o povo à ação de arrependimento.
Sou uma brasileira, filha de um pequeno agricultor e uma empregada doméstica que lutaram demais para progredir na vida, num tempo de ditadura militar, quando quem se dava bem era quem já estava bem e financiava a ditadura. Mobilidade social era quase impossível e demandava cinco vezes mais esforço do que na conjuntura atual.
Meus pais levaram mais de 30 anos para sair do estágio de pobreza em que vieram do interior, nos anos 50, até chegar à profissionalização técnica, trabalhando como funcionários públicos concursados. Eles fizeram parte do grupo que pagou "com o próprio bolso" a implementação do Plano Real durante o governo de Fernando Henrique. Quitaram o apartamento de 45 metros quadrados num bairro popular, de classe média/média, poucos anos atrás depois de 30 anos de financiamento, com juros residuais altíssimos.
Eu nasci, 50 anos atrás, numa favela e minha vida é marcada por muita luta para chegar nesta posição de doutora na área bíblica. Nada foi fácil para nossa família. Ficou mais fácil para muita gente em condições miseráveis, muito piores do que a pobreza da minha família, pelo menos nos últimos três mandatos presidenciais. E quanto a isto, sem nenhuma hipocrisia, sou grata a Lula e a Dilma, por terem permitido a esta gente fadada à miséria e à marginalização alguma mobilidade, alguma esperança, alguma possibilidade de melhoria de vida. Se não fossem os programas sociais do governo a situação seria muito pior. Pela primeira vez centenas de milhares de brasileiros receberam dignidade e valor, acesso à melhores condições de habitação, alimentação, saúde e educação. Estes programas sociais me beneficiaram de alguma forma? Não. Não sou usuária do sistema de Programas Sociais porque foram feitos para pessoas em condições muito críticas, felizmente não era meu caso, nunca burlei o sistema para me beneficiar de algo que não foi feito para mim. Celebrei com os pobres da minha nação as melhorias que tiveram.
O que espero da minha gente no "dia seguinte"?
MATURIDADE ELEITORAL!!!
Saibam fazer escolhas! Aprendam a votar!
Não permitam que essa história de presidentes depostos (ou mortos!) continue! Exijam o plebiscito!
Se Dilma acabou sendo retirada por "má gestão" (já que não se provou o crime e a tal má gestão não está plenamente documentada), e se brasileiros não querem um Temer no poder, façam sua voz valer.
E façam direito!!! Um mero "Fora Temer" com bateção de panela não resolve nada. Tirem o Temer! Esse é o meu desafio a vocês.
Essa jogada não é coisa de militar, é donos do capital e os militares não se enquadram nesta faixa de bem-estar socio-econômico há muito tempo. Os donos do capital, onde quer que estejam (direita, esquerda ou centro) não conseguem mais apoio norte-americano como conseguiram em 1964, por isso não conseguiram impedir que ela vencesse as eleições. O jeito que encontraram foi manipular a informação até resultar no que está ocorrendo. Isso é coisa de quem tem muito dinheiro a perder com benefícios às classes menos favorecidas. Só que essa gente não percebe que sistema econômico é uma engrenagem e os pobres em mobilidade e ascensão social, são os consumidores dos negócios deles. Haverá ricos quebrando por causa disso e por causa da forma como os pobres serão esmagados com as medidas desta mentalidade de poder substituto.
Quero ouvir, agora, a voz do povo, e espero que, como na profecia bíblica, fazendo correr a justiça como um ribeiro perene, ela corresponda à voz de Deus!
Vamos orar com esta canção?
Pra cima Brasil - João Alexandre


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vamos conversar SÉRIO sobre Bíblia, Gênero, Sexualidade e Cultura Contemporânea?

Olá amigos do meu blog,

estou organizando um curso sobre  um assunto complexo que muita gente não consegue conversar sem levantar discussões acaloradas e ofensivas para todos os lados.

Entrem lá no Facebook da minha empresa:




Trata-se de um curso modular de capacitação para pessoas interessadas em estudar e facilitar o diálogo construtivo sobre gênero e sexualidade à luz da Bíblia e da cultura contemporânea. 

Duração: Agosto, Setembro, Outubro e Novembro de 2016.

Programa:
1. Gênero e sexualidade à luz da neurociência e biomédica (Ago)
2. Gênero e sexualidade à luz da teologia queer (Set)
3. Gênero e sexualidade à luz da exegese bíblica em textos originais (hebraico e grego) (Out)
4. Articulando o diálogo sério e construtivo sobre o assunto (Nov)

O curso terá duração de 4 meses (4 parcelas de R$ 190,00 reais) e será oferecido na modalidade de Educação a Distância, pelo sistema Eagle de Gestão do Conhecimento.

Interessados na matrícula devem responder por aqui.
Conheça nossa política de descontos para matrículas de grupos. 

Deixe uma mensagem no nosso inbox ou escreva para nós: eaglegestao@gmail.com

Caso haja interesse lançaremos o segundo módulo para o primeiro semestre de 2017.