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Ética dos relacionamentos sob as lentes dos estudos de gênero

Esse é o texto da aula inaugural do curso de "Bíblia e Gênero" proferido em 30/03/2008 (reapresentado em 13/04/2008 na 2a.IB de Petrópolis). Profa.Lília Dias Marianno [1] 1. Enfoque de gênero: um jeito diferente de ler a Bíblia Desde o início da década de 90, quando o Projeto Genoma começou a intensificar as pesquisas sobre o código genético dos seres humanos, muitas informações novas sobre diferenças de gênero estão chegando ao nosso conhecimento diariamente. Isto porque pesquisadores do campo da medicina, da biologia, antropologia, psicologia e tantos outros campos de conhecimento estão conseguindo mapear melhor o funcionamento do cérebro humano. Tal mapeamento presta grande ajuda à empresas, por exemplo, quando se trata de aproveitamento do potencial de seus empregados. Equipes desportivas também já se utilizam bastante destes resultados. Por exemplo, já é estatisticamente comprovado que mulheres dirigem de forma mais prudente que os homens (até as seguradoras comprovam is...

Enfie seus dedos aqui neste buraco entre minhas costelas

Neste último domingo nosso pastor pregou sobre o encontro de Tomé com Jesus depois da ressurreição, eu fiquei bastante pensativa sobre alguns detalhes. Ultimamente muitos estudantes de teologia andam meio perdidos entre a fé e a razão. Ouvi há pouco tempo de uma aluna o seguinte: "ah professora, a gente não quer ficar abalado mas fica". Na ocasião eu repliquei: o que nos abala não são as novas informações sobre uma velha teologia que não tínhamos acesso. O que nos abala é a fragilidade da nossa experiência com Deus. Nestes momentos o caminho não é questionar o conhecimento novo, o caminho é revisitar nossas experiências fundantes na fé cristã. Afinal, cremos em Deus por causa dos grandes milagres que Ele pode operar ou cremos nele pelo que Ele simplesmente é? Gosto de imaginar o seguinte: se a Bíblia não relatasse qualquer ato sobrenatural realizado pelas mãos divinas, ainda creríamos nEle com a mesma disposição? Por que somos tão dependentes destas manifestações sobrenat...

E essa imagem toda esquisita aí em cima?

Eu sou meio fascinada por mapas. Quando encontrei este aí fiquei encantada! Penso que jamais teria a oportunidade de ver a Palestina sob este ângulo se não fossem os recursos de satélite e da net. Não é diferente? Olhar para a Palestina de cabeça para baixo! Mas por quê, cabeça para baixo? A terra não é redonda (ou ovalada)? Deveria ser possível enxergá-la sob todos os ângulos imagináveis, ao invés de nos limitarmos naquela projeção quadradinha que os atlas nos dão, não é mesmo? Eu quis colocar esta imagem aqui porque trabalhar com Bíblia requer um constante esforço de virar o texto de "cabeça para baixo", e trabalhar com Gênero também demanda o esforço de passar para o lado de lá, tentando enxergar as circunstâncias com o olhar do outro sujeito, com o olhar diferente do nosso. Fiquem aí com a Palestina de "pernas pro ar", pensando um pouquinho em como isso pode ser provocado na reflexão teológica, ok? P.S.: Vez ou outra eu troco este texto de lugar, retiro lá do f...

Essa bondade no coração humano...

Meu contato com o mundo das artes sempre teve um caráter altamente teológico, não sei porquê. Desde as óperas no Teatro Municipal ou concertos diversos, tanto lá quanto em outras salas de música de câmara de nossa cidade e até cinema e exposições de pintura ou de outras naturezas, sempre me encontro refletindo sobre o contato do ser humano com Deus e com seu próximo nestas horas. Do fim da tarde até agora tive chance de assistir a três filmes que me fazem refletir muito sobre a condição humana. Todos três são versões cinematográficas de fatos da vida real. Um deles se chama "A dádiva de Nicholas", um menino de 7 anos que morre num atentado criminoso fora de seu país e, depois de diagnosticada a morte cerebral, seus pais têm que tomar a difícil decisão de doar seus órgãos, numa terra estranha, e isso acaba mexendo com toda a Itália, o país que na época tinha a menor taxa de doação de órgãos de toda a Europa. O segundo se chama "O gigante da planície", produção canade...

Rebeca foi absolvida e a graça começou a ser entendida!

Essas minhas andanças por aí andam me proporcionando algumas surpresas. Neste último domingo estive numa igreja batista no interior da cidade de Nova Iguaçu. Meu desafio: lecionar para um público de umas 60 pessoas sobre Bíblia e Gênero, refletindo sobre Rebeca: divida entre 3 amores, a lição 4 da Palavra e Vida deste trimestre. [nos links aqui ao lado, vc tem acesso ao texto da lição e também ao roteiro de aula que segui com este grupo] No final da aula tivemos uma dramatização: o julgamento de Rebeca. Rebeca foi interrogada por um advogado de acusação e uma advogada de defesa, e como mulher e mãe, respondeu à todas as perguntas. O júri era o próprio público, que recebeu pequenas cédulas para votação secreta a respeito desta mãe que colocou seus 3 amores uns contra os outros, o marido e seus dois filhos e depois disso desapareceu da narrativa bíblica. INOCENTE ou CULPADA, apenas uma das respostas deveria ser escrita no papel. Uns minutos antes, um dos participantes do estudo me pergu...

E essa imagem toda esquisita aí em cima?

Eu sou meio fascinada por mapas. Quando encontrei este aí fiquei encantada! Penso que jamais teria a oportunidade de ver a Palestina sob este ângulo se não fossem os recursos de satélite e da net. Não é diferente? Olhar para a Palestina de cabeça para baixo! Mas por quê, cabeça para baixo? A terra não é redonda (ou ovalada)? Deveria ser possível enxergá-la sob todos os ângulos imagináveis, ao invés de nos limitarmos naquela projeção quadradinha que os atlas nos dão, não é mesmo? Eu quis colocar esta imagem aqui porque trabalhar com Bíblia requer um constante esforço de virar o texto de "cabeça para baixo", e trabalhar com Gênero também demanda o esforço de passar para o lado de lá, tentando enxergar as circunstâncias com o olhar do outro sujeito, com o olhar diferente do nosso. Fiquem aí com a Palestina de "pernas pro ar", pensando um pouquinho em como isso pode ser provocado na reflexão teológica, ok? P.S.: Vez ou outra eu troco este texto de lugar, retiro lá do fu...

Sexo, sexualidade e reflexão teológica (parte 2)

(continuação da postagem anterior) 3. Reflexão bíblico-teológica feminista latino-americana para o século XXI Em 2004, teólogas biblistas latino-americanas, assessoras de RIBLA [1] , se reuniram no Brasil para discussão das pautas hermenêuticas que norteiam a reflexão bíblico-teológica feminista. O objetivo era listar as prioridades e ênfases na reflexão teológica para que a hermenêutica bíblica feminista latino-americana continue seguindo seu caminho sem abandonar seus pilares, seus valores centrais, abrindo, porém, novos tópicos no debate de gênero, religião e teologia bíblica. Ali se reafirmam alguns paradigmas para a hermenêutica bíblica feminista latino-americana no despontar do séc. XXI [2] : a) A parcialidade interpretativa e a pluralidade de paradigmas é critério interpretativo em nossas abordagens; b) a hermenêutica feminista latino-americana é filha do movimento bíblico-teológico latino-americano e continua tendo como objetivo “a construção de relações justas e de superação d...