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Sonho de águia

Sonho de Águia (Cidade do Panamá - 19/05/2008) Lília Dias Marianno Dentro de mim mora uma menina Sonhadora, romântica, alegre Vibrante como uma gérbera amarela Ela está lá no Panamá De costas para todos De frente para a pista de pouso e decolagem E se lembra que ela é uma águia Ignora as pessoas Ignora as novidades Ignora até o momento histórico de pisar um chão totalmente novo. Ela sente o impulso de voar como um pássaro forte Desses que voa lá no alto E que constrói seu ninho nos lugares absurdos No cume das montanhas Nas cristas dos penhascos Mas ela não sabe onde está seu ninho Sonolenta, ela adormece Esperando pelo avião que a levará Para um destino temporário Enquanto suas próprias asas não a levam Para o ninho solitário no cume das rochas Dividido apenas com seus filhotes e com seu amor. A menina sonha e dorme... Dorme e sonha... Sonha com a águia, seu par Linda e cortês, galante e fiel. Sonha em admirá-la e respeitá-la E por ela ser respeitada e admirada. A menina sonha e dorme...

Mente insana no corpo são

Quando se completa quarenta anos, a vida muda de perspectiva. Dizem que os homens sentem que nasceram de novo. Se sentem meninos e pensam que são adolescentes de novo, hehehe As mulheres, por sua vez, entram na famosa "idade da loba" Essa idade é maravilhosa! Estou amando cada segundo dela. Mas o fato é que, quando cheguei aos 41, comecei a refletir sobre a velhice com uma curiosidade singular. Passei a me encantar ainda mais com a sabedoria do ancião e a me alegrar sobremaneira quando encontro estes velhinh@s bem vivid@s e bem resolvid@s que nos transmitem tanta lição de vida com um simples sorriso ou uma frase curta dita com muita precisão de conteúdo e de momento... Comecei a querer ser um deles. Dizem que depois dos 40 as mulheres não dizem mais que idade tem e que escondem de todas as formas possíveis  a visibilidade dos anos no seu corpo...  eu acho isso tão engraçado! É óbvio que eu gostaria de ter o corpinho dos 18 anos novamente, que mulher não gostaria? Essa va...

Sorriso nublado

Eu 2007 eu comecei a perceber que meu sorriso estava muito escuro. Nunca tive dentes muito claros, mas eles estavam escuros demais. Cada fotografia que tirava era um sorriso cinza! A coisa ficou tão esquisita que isso mudou meu jeito de sorrir, percebi que meus sorrisos em fotos evitavam mostrar os dentes,  com medo de que aquele cinza ficasse perpetuado para a posteridade! Agora vê?! Com um pouco de auto-crítica, reparei que o excesso de cafeína (para aguentar as noites acordada produzindo textos para as editoras) e a taração pelo chocolate estavam deixando efeitos colaterais naquele pedaço do corpo que será útil para o reconhecimento da minha carcaça deteriorada, muito tempo depois que eu me for deste "mundo mundo, vasto mundo"... Comecei a cotar um clareamento dental. Procurei um especialista e depois de séria análise, tive a triste notícia de que meus dentes já são meio cinzentos por conta de antibióticos (tetraciclina) que minha mãe tomou, quando estava grávida de mim,...

Dessas coisas que não fazem sentido

Como pode uma pessoa que escreve tanto, mas tanto, e que gosta tanto de escrever  e que escreve tão rápido como eu escrevo, não ter tempo para escrever mais um pouquinho? É um troço esquisito, mas tão real que me assusta! Quando olho esse blog sem texto novo há 9 meses, sinto vergonha. Tem tanta coisa já escrita, era só postar aqui! Talvez eu quisesse fazer deste espaço um lugar específico para postagem de textos mais ligados com gênero e Bíblia, e por isso, evito colocar os "respiros" cotidianos. Esse rigor excessivo com certas  coisas é um algo que me persegue. Não gosto dele, mas me prendo a ele. Mas tenho que arrumar um jeito de me soltar disso. Então, tentando dar um jeito de burlar meu próprio nível de exigência comigo mesma,  vou arrumar uma desculpa esfarrapada para colocar aqui textos de outras naturezas. Primeiro porque não estou a fim de abrir outro blog que certamente não terei tempo de alimentar,  rs... Segundo porque Bíblia e gênero são minha vida, nã...

A PARÁBOLA DAS SEIS FLORES

Esse texto foi meu discurso de paraninfa CIEM (29/11/2008). Um monte de gente pediu cópia, coloquei aqui para ficar mais fácil copiarem. Parabéns, flores: Ivonete, Luzimeire, Floriléa, Josiane, Conceição e Juliany! A PARÁBOLA DAS SEIS FLORES Reflexão em Ec. 3,1-11 Profa. Lília Dias Marianno O Senhor Criador, que fez o céu e a terra, a relva e os animais plantou neste mundo um lindo jardim. Vez ou outra o Criador re-inventa sua própria criação. E neste jardim chamado mundo, ele escolhe um cantinho, um canteiro especial para tratar de flores especiais. E foi assim, que um dia o Criador resolveu plantar 6 novas flores, 6 flores lindas, resolveu fazer uma experiência, tirou cada uma de um canto completamente diferente do jardim e começou a cultivá-las e tratar delas numa nova terra. A primeira delas (Ivonete) é uma flor resistente, suas sementes vem lá do interior das Minas Gerais, de Mantena, interior gostoso, de gente tradicional. A flor estranhou a fumaça da cidade, mais ain...

Tapete de Nuvens

Lilia Dias Marianno Em 24/05/2008 (Entre Quito e Panamá) Estou voando sobre um grande tapete de nuvens. Sua brancura em contraste com o azul do céu me lembra: estou alto, muito alto. O horizonte mudou de namorada Não se deixa mais beijar pelas águas do oceano Apaixonou-se pelo oceano de fumaça a quem beija demoradamente A paz deste oceano branco me transporta Para um mundo perfeito onde não há dor Diferente daquele lá de baixo. Pobre mundo sofredor! Tão belo e tão conturbado! Nuvens... nuvens densas e esparsas Tranqüilas ou turbulentas Vocês me lembram os momentos da vida Tão belos e ternos! Tão turvos e densos Momentos que, assim como vocês, eles passam Momentos pelos quais, às vezes quem passa sou eu Como floquinhos de algodão Os filhotinhos de nuvens bailam diante dos meus olhos Acariciando minha alma risonha com o espetáculo Essas nuvenzinhas são aprendizes, Nem sempre a coreografia sai perfeita E elas me deixam ver um pouquinho do que deviam esconder Criancinhas sapecas que me mos...

Asas do Condor

Lília Dias Marianno Quito, 22/05/2008 Quito... experiência inesquecível. Junto com o povo latino da Bíblia por poucos, mas valorosos instantes dei-me ao direito de entregar-me a um novo momento de contemplação, como que a inaugurar um novo tempo de vida. Um certo aviador me falara: "Olha! Quito é cheia de altos e baixos". Sim! Muitas ladeiras! Rodeada de vulcões, só se tem uma noção mais justa do que ela é quando se está de cima! Minha parte favorita em Sociedade dos Poetas Mortos é o inesquecível momento em que o professor faz com que todos seus alunos subam nas mesas e olhem para a classe de cima para baixo . ele disse: "o mundo é totalmente diferente quando se olha de cima". Desde que vi esta cena, tantos anos atrás desenvolvi uma paixão pela montanha como nunca antes e o mirante da Rio-Petrópolis é o lugar onde grito: Jerônimo! Quito é uma cidade assim, que nos obriga a olhar para baixo apoiados nas asas do Condor ave extinta, típica dos Andes cordilheira que ho...